História Quaraiense


Antes de existir a cidade de Quaraí seus habitantes eram apenas índios.
O fazendeiro paulista João Batista de Castilhos comprou duas sesmarias de terras, as margens do rio Quaraí onde estabeleceu uma estância e ali ficou morando. Perto de sua casa, os empregados foram construindo suas moradias. Aquele grupo de famílias formava uma pequena povoação que recebeu o nome de Passo do Batista.
Com o desenvolvimento da povoação pessoas de outros lugares aqui chegaram e construíram suas moradias. No centro da povoação surgiu a primeira farmácia do município, dando início ao comércio local.
Mais tarde foi construída a primeira escola. Devido ao progresso dessa povoação em l959, foi criada a Freguesia de São João Batista de Quaraí.
Depois de algum tempo passou a ser vila e finalmente surgiu Quaraí, a cidade onde vivemos.
Quaraí-Querência-Querida
Quaraí é uma terra de poetas, poesias, lendas e mistério.
Sentinela do Jarau berço e túmulo dos charruas, seu próprio nome vem carregado de poesia que se fez mulher e que até hoje guardamos na furna encantada do Cerro do Jarau a Teniaguá a mais lida princesa moura.
A cidade do Rio Quaraí, tem ruas calmas, gente simples, das noites claras, dos coxilhões. E um município da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, que possui uma área de 3.238 km e uma população estimada de.
30.000 habitantes. A economia é baseada na tradição pecuarista e possuímos a maior densidade de ovinos por unidade de área no Brasil.
Na agricultura destacamos o plantio de arroz, que ocupa uma área superior a 8.000 hectares. O comércio tem oscilações resultantes do valor do peso uruguaio.
O clima é temperado onde e a temperatura é variável. E no aspecto físico
É plano ondulado com poucas elevações, tendo como rio mais importante o Rio Quaraí que faz limite entre Brasil e Uruguai.
Pontos Turísticos
Quaraí se faz uma cidade hospitaleira, graciosa enaltecida através de seus pontos turísticos.
Região do Butiazal
Ponte Internacional da Concórdia

Centro Cultural Comunitário Quaraiense

Praça General Osório
Cerro do Jarau

O Saladeiro de Quaraí
Sobre os ciclos evolutivos da Indústria Saladeril do R.G.S.Quaraí iniciou suas Charqueadas em 1894, quando ingleses chegaram aqui e construíram o Saladeiro Novo Quaraí. No início do século XX, Quaraí contava com 11.402 habitantes e o Saladeiro empregava 350 homens e 27 mulheres. Exportava-se para outros países, via porto de Montevideo, já que do outro lado do rio Quaraí havia alfandega desde 1861, e ramal ferroviário uruguaio.
Em 1908, o engenheiro inglês Henrique Holidge construiu um cabo aéreo com resistência de quatro toneladas e um motor a vapor que estabelecia uniforme vai e vem, uma espécie de bondinho. Através desse  meio, facilitava o transporte do couro, charque, geleias, patês, língua

Enlatada e outros. E da estação ferroviária de Artigas era levado por trem, até o Porto de Montevideo e de lá exportado para Pernambuco, Bahia, Inglaterra, Itália e Cuba.
Em termos de perspectiva para o futuro os Saladeiros de Quaraí, nós deixaram o referencial de que o investimento atualizado que atende ao interesse do mercado gera trabalho e ainda sobra para aplicar em termos da Comunidade.
Histórias e Lendas do saladeiro
As Crianças desaparecidas
Era a última sexta-feira do mês, dia de reunião dos professores da Escola Emílio Callo, por isso os alunos sairiam mais cedo. Combinaram aproveitar a folga e fazer um passeio pelas Ruínas do Saladeiro. A distância era pouca, ficava quase em frente, pois naquele tempo a escola ficava na velha casa da antiga padaria. O passeio ia ser maravilhoso, mas tinham que passar pelo Poço da Noiva. Assim que a sineta tocou, já estavam com o pé na estrada, silenciosas e rápidas numa cumplicidade de crianças arteiras. O lugar era bem conhecido elas iam brincando quem chegava primeiro.
Quando se deram conta, estavam em frente a um portão tão limpo e iluminado que pensaram ter muitas pessoas morando ali, e decidiram entrar. Nesse momento estavam  sentindo-se estranhos, tão leve que parecia ser um sonho. Nesse momento aparece um senhor já idoso, sorrindo e foi perguntando:
-Vocês vieram conhecer o Saladeiro ou falar com seus pais?
-Viemos conhecer o Saladeiro, nossos pais não estão aqui.
-Pensei que estivessem trabalhando.
-Trabalhando aonde?
-Já vi que não conhecem, vou leva-los para conhecerem.
Foram por aqueles pavilhões movimentados, com muita gente trabalhando e ele explicando tudo. Aquele pavilhão é o lugar onde se coureia e carneia.
-Quanta carne e quanta gente de faca.
-Vamos lá. Aqui é onde se charqueia e se leva a carne para os tanques que são as Piletas.
-E assim o senhor foi explicando cada setor como funcionava.
Mas foi ficando tarde e o senhor perguntou:
-Onde vocês moram e de onde vieram?
-Moramos aqui perto, e viemos da escola.
-Que escola?
-Da escola Emílio Callo.
-O simpático senhor soltou uma gargalhada e afagando a cabeça de cada criança disse: vocês são muito espertas e inteligentes, conseguiram até uma escola com meu nome. Alegre e feliz levou as crianças até o portão luminoso, deu algumas moedas e se despediu sorrindo e acenando. Elas correram para fora do portão e se surpreenderam por que já estava anoitecendo e tinham que passar ao lado do Poço da Noiva ou talvez encontrassem o Homem do Cavalo Preto. Maior foi à surpresa quando olharam para trás e o portão luminoso havia desaparecido. Os pais já estavam à procura dos filhos e assim se encontraram e contaram sobre o senhor, mostraram as moedas (réis) que ganharam. E todos se olharam, emudeceram diante da prova. E assim ficou uma ponte entre o passado e presente, ou será ao contrário, entre o presente e o passado. Nunca saberemos.
Raimundo Corrêa

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